23 setembro 2007

 

Em nome da mãe


Um artigo no Público, outro no DN, sobre a partição de tarefas domésticas entre homens e mulheres, gerou algumas conversas interessantes na blogosfera (aqui, aqui, aqui, aqui). O problema da distribuição das panelas não é novo, e por isso é limitado. A emancipação da mulher precisa de abrir novas lutas e explorar novos temas - aqueles que os jornais não se atrevem a falar.

Quase todos nós ouvimos as nossas mães gritar com os pais, tentando impor maior igualdade, tentando mudar as mentalidades e comportamentos dos maridos na vida privada e familiar. Foi aí que o feminismo dos anos 70/80 fez as suas conquistas. Nós, filhas e filhos, aprendemos com isso, porque presenciávamos e sentíamos essa luta.

Recuso pensar que essa luta foi em vão. Recuso passar outros 30 anos a batalhar pelo mesmo. Enquanto mulher, o tema do lar já não me pertence, a cozinha e as panelas não me dizem nada. Enquanto mulher, essa não é a minha luta, a minha mãe fê-la por mim.

Julgo que o feminismo hoje significa criar caminhos femininos no emprego, na política, na cultura, no espaço público. Não quero falar só das estatísticas da sociologia e da economia, porque por trás da paridade nas carreiras e nos salários esconde-se um mundo masculino. Mesmo quando as mulheres estão em posições privilegiadas são convidadas a reproduzir esse mundo masculino. Decidem mas não lideram, inventam mas não criam, pensam como os homens. Há que reclamar um lugar para o feminino, transgredir as fronteiras do conhecido e aí fundar uma cultura nova, um mundo novo.

Comments:
O feminismo é um mito.

E que tipo de cultura nova e mundo novo falas tu? O que é isso de criar caminhos femininos sem reproduzir os masculinos? Que confusão.......................
 
Nao è atravès de cotas que vais conseguir isso.A luta tem que ser conjunta,nao homens contra mulheres.Temos que lutar,por melhores condiçoes de trabalho e de vida ,para todos. O que as mulheres (as burras)querem é ocupar o lugar dos homens,em vez de lutarem por uma sociedade mais justa ou seja que permita ao cidadao realizar-se,ter uma vida digna ,viver e criar os filhos num hambiente saudavel,e isto sò pode ser alcançado se todos remarem para o mesmo lado.Quanto ao resto è lã,se o teu marido nao lava a louça?deixa-o.Nas fábricas as mulheres ganham menos?luta por melhores salàrios.A maneira como teem travado as lutas nao nos deu nada atè agora,se hoje em dia as mulheres trabalham deve-se ao facto de um elemento sózinho a trabalhar nao conseguir sustentar a familia.Os resultados estao à vista nas novas geraçoes.É ridiculo ,com as dificuldades que as familias passam falar em lutas homem mulher.
 
Aqui, tem um dado interessante em que só o deitar os filhos é tarefa do casal...

http://womenageatrois.blogspot.com/2007/09/h-nmeros-que-falam-por-si.html

A luta anterior não foi em vão, simplesmente continua hoje.

E atenção que a luta de que falas não foi em todas/muitas famílias...
 
Busilis: Não é ridículo se te sair sistematicamente a fava! As famílias têm dificuldades, mas ignorar que as mulheres têm freqeuentemente um fardo muito maior é de há dois séculos atrás!

E se dás importancia à classe, sugiro que dês a uma que junta metade da população.
 
samir machel:tenho plena consciencia que" as mulheres teem frequentemente um fardo muito maior",mas a soluçao para isso passa por se afirmarem dentro de casa.Apresentas as coisas como se fosse uma fatalidade ,e as mulheres umas coitadinhas.Nos tempos que correm se nao houver uniao de esforços num casal,este nunca dura.Eu recuso-me a fazer essa distinçao de metade da populaçao,as diferenças homem mulher vejo-as a titulo de individuo,o Joao è diferente do Antònio ou da Maria,nao tanto por terem sexos diferentes mas por serem individuos diferentes.E volto a dizer se em conjunto conseguirmos uma sociedade em que apenas um dos elementos tenha que trabalhar fora de casa (seja m/f)acho que faremos um real progresso.E sim dou importancia à classe,classe humana.
 
Mas como se afirmarem dentro de casa sem ser contra o homem. Não estou a dizer que matem os companheiros. Não estou a dizer que se pare de exigir serviços de apoio (como creches, etc). Mas eventualmente ter-se-á de discutir por que um se refastela no sofá e outro tem de trabalhar. Não há união que aguente isto.

Eu preferiria que ambos trabalhassem menos...
 
Ao carametade,
Nos ultimos 200 anos temos ouvido o mesmo argumento sobre mito e utopia atirado aos socialistas e comunistas. Estas tu agora a usa-lo contra as mulheres. Esse objectivismo bacoco, so serve para calar as vozes que nunca foram ouvidas.

Ao busilis,
O que tu dizes e’ que o lugar natural das mulheres e’ em casa, a sua afirmacao deve ser feita em casa. So entraram no mercado de trabalho por necessidade economica da unidade familiar. Para ti, as mulheres nao tem vontades nem interesses no trabalho que nao sejam o sustento da familia. E’ EXACTAMENTE esta cultura que tem que acabar.

O feminismo e’ a solidaridade entre as mulheres, e’ a sua luta conjunta, enquanto maioria oprimida. Nao e’ contra os homens, a nao ser que eles, como voces, se oponham.
 
Dolores nem de perto nem de longe quiz dizer tal coisa.A afirmaçao "em casa" deve-se ao facto de ser sobretudo em casa que a mulher tem essa sobrecarga(quando o tal homem esta no sofà).E a mulher afirmar-se nao è luta,pois o proveito é para o agregado(atè para o tal gajo do sofà que poderà assim tornar-se um Homem),ou seja essa afirmaçao è proveitosa para todos.O trabalhar ou nao e continuando a falar de casais,deve ser decidido em conjunto como todas as decisoes de uma vida a dois.O que eu disse foi que na minha opiniao nao deveriam trabalhar os dois"OBRIGATÒRIAMENTE"como hoje acontece.Se trabalhavam os dois ,sò um e qual deles ,deveria ser OPÇAO de cada um e nao è isso que acontece.Peço-te desculpa pelo meu portugues que pelos vistos è insuficiente para te explicar o meu ponto de vista,e te conduziu no caminho oposto.
 
Dolores,
(Aoutrametade e não carametade.........o que é completamente diferente:"Aoutrametade" foi o termo que as mulheres chinesas tiveram na revolução cultural chinesa (maoista); "carametade" soa-me a termo de telenovela ou folhetim das três.....desconheço.
Não falei em utopia nem falo contra as mulheres dizendo que o feminismo é um mito. Apenas quis entrar numa discussão responsável, mas paciência.
O assunto é importante porque sendo um mito, tal como são o racismo e a emigração, acinzenta e encobre a verdade. Não entendo porque é que a rainha da Inglaterra (mulher) precisa de abraçar os ideais feministas em relação ao meu tio Francisco (homem)que é taxista em Santarém.
 
Caro (nao cara :) aoutrametade,

Com esses mitos todos, estou a ver que se nao for a luta do homem nacional, branco e proletario, nao apoias nem participas. Despes o conceito de classe de todo e qualquer conteudo, tornando-o abstracto, hibrido, sem cor, sem sexo, sem historia.

Ja que te lembraste da revolucao chinesa, entao nao te esquecas – "deixemos que mil flores desabrochem".
 
Dolores,

Onde e como conseguiste tantas conclusões pequeno-burguesas?
Apenas te perguntei onde estão as razões feministas duma mulher representante e defensora das classes mais favorecidas em relação a um homem das classes menos favorecidas. Similarmente, referi-me a homem/mulher branca das menos favorecidas em relação a um ditador político negro (racismo), e homem/mulher não emigrante em relação a qualquer jogador/treinador de futebol português a jogar nas principais equipas da liga espanhola.....podes escolher o treinador e o país(emigração).
Sobre a história, o materialismo dialéctico, de facto não tem cor nem sexo; tem sido uma luta permanente pela posse dos meios de produção na aquisição da mais-valia.
 
o' metade,

Demites qualquer validade ao discurso feminista, com a anedota de mulheres a trairem os interesses da condicao feminina. Entao por um proletario trair os interesses da sua classe, tambem demites validade ao movimento proletario? E' que por cada Tatcher ha um Lula da Silva.
 
De maneira nenhuma Amílcal demito validade do discurso feminino, nem qualquer discurso. Se é discurso,aceito e discuto-o.
Mas é que a rainha da Inglaterra não traíu a sua condição feminina; ela até defende a sua condição, juntando-se aos masculinos. O cerne da questão é que ela é uma feminina privilegiada como são os masculinos que ela defende.............assim, a questão é de privilégio e não de sexo.
Vamos ao Inácio. Ninguém trai os seus interesses de classe, como o colocas, como não basta ser proletário para defender os interesses do proletariado. Como sabes tão bem ou melhor do que, precisa-se da consciência de classe. Desconheço as cambalhotas do míster brasileiro, mas os corredores de Brasília e Washingtom facilmente constipam uma consciência de classe mal cimentada.
O que a postagem não se refere, de propósito ou não, é que a condição feminina, (tal como o racismo e emigração) é resultado e parte do sistema económico em que vivemos.
Perguntei que mundo novo a Dolores se referia. Até agora nada.
 
A dolores que me desculpe mas acho que o problema dela,alem de nao saber ler, è mesmo falta do acto sexual.A minha duvida era, afinal qual a do aoutrametade,mas constacto que tambem nao se trata de "um porco machista".ÈS SIMPLESMENTA PARVA,faz-te á vida rapariga,se nao estás contente com o homem que tens muda,se até hoje nao conheceste nenhum que prestasse,se calhar o problema reside em ti.Se calhar nem gostas de homens,mas isso nao altera nada.A menos que queiras viver sozinha vais ter que aprender que uma relaçao a dois implica cedencias mutuas.
 
Não percebendo de onde vem este último ataque, em relação ao qual apresento já o meu completo nojo, queria apenas chamar a atenção para um ponto que a dolores justificou muito bem mas que parece que o busilis não percebeu, entre outras coisas...

A realização pessoal do homem ou da mulher é mais que a realização em casa, num casamento, numa família, o que for. A realização profissional do homem e da mulher é igualmente importante. Foi por isso que muitas mulheres (e homens) lutaram, para poderem ser mais do que as senhoras da casa, para poderem votar, trabalhar em qualquer profissão, desempenhar cargos de chefia, ser profissionais. Apesar de reconhecer que isto muitas vezes não se verifica, não vejo qual seria o "real progresso" de um dos membros do casal ficar em casa.

E reduzir a esta questão de género a uma questão de classe ou, pior, de diferenças entre indivíduos (o António e a Maria) é, no mínimo, de uma ignorância histórica e sociológica sem paralelo.

As relações de poder entre o homem e a mulher, que ultrapassam em grande escala as tarefas domésticas, continuam a estar desequilibradas e esta questão continua pertinente.
 
E è com posturas destas que vais conseguir seja o que for.Essa "garande escala"està na tua cabeça.O que com a tua"sabedoria històrica "nao percebeste(nem vais perceber) é que a realIsaçao pessoal sò è possivel com a liberdade de escolha,se te realizares em casa optimO se te realizares no trabalho idem,o que defendo(pela decima vez)è que nao devem ser factores econòmicos a decidir.E agora sò para o/a igamm:quando falo em casal parto do principio que duas pessoas só o sao enquanto assim o querem,e porque sei que è precisamente aí (no seio do casal)que se dao as maiores injustiças.Quanto ao mercado de trabalho a història que a mulher è descriminada,è conversa para encher pneu,jà tentas-te trabalhar ?Experimenta,podes descobrir um mundo novo.
 
Busilis, nao queres mudar de nick para "coprofonico"?
 
Aoutrametade,

Um mundo novo na esquerda seria as mulheres poderem falar dos seus problemas e das suas realidades sem ter que o justicar com analises de classe. Terem a liberdade de falar da sua intimidade, sexualidade e desejos na sua singularidade. Serem ouvidas sem preconceitos, sem risco de ouvir que e’ de “telenovela ou folhetim das três”.

Ninguém, a não ser as feministas, fala do corpo, escreve, pinta, esculpe contra as convencoes burguesas.

O feminismo nao e’ um capricho pequeno-burgues, e’ um movimento anti-imperialista, anti-elitista e anti-racista. Mais que isso, e’ um movimento que se atreve a falar de temas tabus que muitos M-Ls foram cobardes e pudicos em abordar.
 
dolores ,mas porque é preciso ser feminista para falar do corpo de sexo ou seja do que for?Os homens nao terao esse mesmo direito?Alguem to negou?conta-me quem foi,onde e porque,ganhas um aliado. a.cabral já pensate mudar o nome para a.cabra?
 
busilis, já pensaste postar sem seres primário?
 
Chamas-me "cabra" numa discussao sobre feminismo, ao que eu respondo: com muito gosto!

E ja' agora, nao queres uma pa' para te enterrares mais fundo?
 
chill niggas!

Se todos baixarem as AK-47 a discussao pode continuar...
 
femeni-tique,jà pensaste seja no que for?a.cabra tenho que reconhecer que o coprofonico elevou a conversa.p.lumumba desconfio que este tòpico nunca se destinou ao debate saudavel,seja como for a razao està do teu lado.Pela minha parte dou por enserradas as hostilidades.
 
Dolores,

Entendo agora o mundo novo a que te referes, obrigada.
Nunca disse que o feminismo era um movimento pequeno-burguês, mas sim algumas das tuas conclusões. Como também é alguma da tua terminologia, como por exemplo "apoiar".
Lá de vez em quando saies-me com umas afirmações!!!!!! O não falar dum tema não significa cobardia; pois neste caso é ideologia e não cobardia. O não colocar feminismo no centro da luta não significa cobardia.
 
Os ânimos estão um bocadinho exaltados - o que não é forçosamente mau - e apesar da falta de tempo com q estou apetece-me recomendar uma leitura. Ah! Dolores a luta da tua (e da minha) mãe não foi em vão mas não foi (ainda) vitoriosa. Por muito que não queira fazer das panelas a minha luta (e no meu caso particular nem o é), o discurso feminista também tem de passar por aí. Mas voltemos ao q aqui me trouxe, um texto de q falámos no womenage há uns tempos:

http://familles.blogs.liberation.fr/hefez/2007/07/faut-il-avoir-d.html
 
não sei porque não se deverá colocar o feminismo no centro da luta. que razões há para isso?

em quantidade as mulheres são bastante mais que a classe trabalhadora. frequentemente têm que acumular a condição de proletárias/precárias com a sua situação feminina que na prática é uma posição social de inferioridade. a discriminação sexista não fica nada a dever, no que afecta a vida das pessoas, aos problemas laborais ou de classe. também acho que uma hierarquia de valores nas lutas sociais não trás nada de bom, cada um@ terá que defender os seus interesses mantendo sempre a solidariedade com @s our@s

por estas razões penso que a luta feminista é no mínimo tão importante e central como uma luta de classes.
 
E a classe está metida nisto até aos cabelos. Enquanto umas famílias podem contratar empregadas domésticas (aliviando a tensão dentro da família), outros nem pensar...
 
Dolores,
a ausência de "caminhos femininos" de que falas é consequência de uma luta inacabada
em que as panelas são apenas (continuam a ser) sintoma. Uma sociedade patriarcal não deve ser apenas combatida no domínio público. Quanto à reprodução do "mundo masculino", não poderia estar mais de acordo contigo. E essa foi uma lacuna das primeiras vagas do feminismo (vénia, vénia, vénia, ainda assim). Mas, mais uma vez, resulta de uma sociedade patriarcal que não oferece modelos de liderança femininos, só para dar um exemplo.
Enfim... muito mais a dizer. Muito mais a fazer.
 
Desculpem estar a meterme em assuntos que pelos vistos sao de gajas,mas voces nem sequer veem o poder que teem:voces sao maes de toda a gente(nao há maior elogio nem poder),todo o homem casado ,junto,etc vive com voces ,e dizem que nao è em casa que devem actuar?Acho que voces nem com um curso de operaçoes especiais iam là,falta-vos VIDA.
 
Panúrgio,
Qual é o objectivo da luta onde achas que as mulheres deviam ser o centro?
Há muitas lutas e algumas com o mesmo objectivo e métodos diferentes e outras com objectivos diferentes. A qual te referes?
O feminismo está na luta pelos objectivos feministas, e acredito plenamente que a sua emancipação emancipava muitos homens. Qual é o objectivo último do feminismo?
Será que se as mulheres conseguirem os seus objectivos finais, começa depois o masculinismo?!?!?!?!? Ora uma vez são elas, outra vez são eles.
 
aoutrametade, o feminismo que eu defendo é o anarco-feminismo, em que são centrais as preocupações que mostraste mais acima com a legitimidade da rainha de inglaterra reinvindicar direitos ao teu tio taxista em santarém. onde não concordo contigo é quando dizes que tudo está subordinado ao económico.

não faz sentido lutar para que apenas algumas mulheres se emancipem, para que tenham poder como os homens, enquanto a esmagadora maioria continua na mesma. mas também não faz sentido criar condições económicas para que tod@s possam viver materialmente bem continuando as mulheres subjugadas aos homens numa sociedade patriarcal.
 
Panúrgio,

a)Quando digo que está tudo subordinado ao económico, digo que a luta determinante é entre os que possuem os meios de produção e os que não os possuem, mas criando mais-valia em benefício dos primeiros.
b) Quando criarmos as condições económicas para que "TODOS possam...), as mulheres claro que estão incluídas nesses TODOS.
A sociedade patriarcal, e já que citei o racismo anteriormente, são produto duma sociedade de classes, caracterizadas pela posse dos tais meios de produção.Quando, a partir de setenta, a mulher mudou as tarefas domésticas pelo emprego, foi causado e CONSENTIDO pelo sistema económico e nada tem de emancipação feminina.
Mas cuidado, o sistema cria as suas próprias contradições e faz-nos confundir o determinante do secundário, que também é importante.
 
aoutrametade:precisamente.Dividir para reinar.
 
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