21 setembro 2007

 

A ajuda deles


Fazer compras, cozinhar, lavar a loiça, pôr a roupa na máquina, estender a roupa, arrumar, limpar… As tarefas domésticas são mais que muitas, embora algumas sejam desnecessárias (porquê passar a roupa interior a ferro??!!).

É sobre as mulheres que muitas vezes recai este trabalho. Isto não é nada de novo: porque os homens pouco ou nada fazem, mas também às vezes porque as mulheres entendem que só fica bem feito se forem elas a fazerem.

Há vários tipos de homens que pouco ou nada fazem em casa. Primeiro os que acham que não têm que pegar num esfregão. Este é o típico macho latino: o homem trabalha na rua, a mulher em casa.

Depois há alguns com um complexo de culpa e que por muito que sintam que deviam fazer mais em casa, continuam a recear entrar neste domínio supostamente feminino. E andam ali no fio da navalha: por um lado acham que também eles têm que desempenhar as tarefas domésticas; por outro é como se permitissem, numa postura paternalista, que ao menos “naquilo” sejam as mulheres a mandar.

Há ainda aqueles que “ajudam”. Esses são engraçados: parece que hesitam entre a inconsciente possível perda da masculinidade e a solidariedade e companheirismo. E depois têm um discurso ainda mais hilariante: eles não lavam a loiça - ajudam a lavar a loiça; eles não estendem a roupa - ajudam a estender a roupa; eles não dão banho aos filhos – ajudam a cuidar das crianças…

E finalmente, os poucos e raríssimos 0,8% de homens que fazem sozinhos as refeições, os 1,7% que tratam da louça e os 0,1% que tratam da roupa.

Comments:
O problema radica na legalização do preconceito quando as mulheres, elas que com o trabalho em casa[e aqui não inclui-se não só o trabalho doméstico, mas essencialmente o tempo dispendido com as crianças e os idosos] trabalham, em média, mais 3 horas e meia do que os homens, recebem, em média, menos 25% de salário para trabalho igual, diferença que aumenta conforme aumenta a qualificação.
O problema radica essencialmente não na disponibilização ou não do homem e da sua vontade mas na ausência de respostas do estado que fomenta uma sociedade eminentemente patriarcal não garantindo valências sociais de apoio à infância e à terceira idade, não incluindo os estudos sobre as mulheres nos planos educativos, não garantido o acesso à saúde e planeamento familiar, perpetuando as diferenças salariais entre mulheres e homens (para desta forma baixar os salários de todos), legislando sobre matérias como a violência doméstica na perspectiva da vitimização da mulher e não da criação das condições para a sua efectiva emancipação.
E isto, para não falar da extinta CIDM, transformada em CIG...
De facto, os raríssimos homens que ajudam, e os muitos que o não fazem, devem-no também a um sistema perfeitamente construido e assente sobre preconceitos que, para além de sociais, legais. E assim se vive por cá, dentro e fora de casa.
 
Eu não disse que o problema radicava só na vontade do homem. Mas a verdade é que já há muito mais a consciência de que de facto as tarefas domésticas devem ser partilhadas e muitos homens não conseguem ir além do discurso.

Na prática, em casa deles, limitam-se a "ajudar".
 
Mas perante as imposições da sociedade limpam as mãos à parede e sobrecarregam as companheiras.

Como o António (num excerto)limitam-se a ser uma pequena muleta, isto é uma bengala, para as coxas das mulheres que não conta do recado todo.
 
Não podia concordar mais com o que foi dito. A "dupla jornada" da mulher continua completamente real e o verbo ajudar (mas há expressão mais ofensiva?!) é utilizada por eles mas também por elas.

A perpetuação desta situação tem muitas raízes, como a inexistência de valências de apoio social. Mas os valores culturais machistas por detrás da situação continuam a ser vincados e estimulados por diversos meios, como a publicidade e os manuais escolares. Estes últimos, amplamente estudados, são responsabilidade do estado...
 
Queria so acrescentar um ponto – o papel da mulher nesta historia. E' que 'as tantas parece que estamos nas maos deles e da sociedade, e que so nos resta constatar e protestar. Nao e' verdade! Nao podemos assumir que, por defeito, temos que fazer aquilo que eles nao fazem. Se nao queremos cozinhar ou limpar, nao cozinhemos nem limpemos!
 
Concordo contigo. Mas também tens que reconhecer que muitas mulheres se queixam de que os homens não fazem nada em casa, mas depois não os deixam pegar numa esfregona porque eles não sabem limpar como elas limpam...

Ou pior, como eu já ouvi mulheres dizerem com um misto de orgulho e revolta, "ele não limpa porque é homem".

(O meu avô teve um dia a ideia de ir fritar batatas: queimou-as todas e não voltou a pôr os pés na cozinha para fazer o que quer que seja...)
 
O lar nao e' a arena da luta dos generos. O lar e' em igual medida prisional e fabril, sem ser por isso reflexo de um combate mais importante, ou o ponto de partida da opressao. O lar esta' a par com as outras coisas. Mas com uma diferenca tactica: a luta no lar nao e' colectiva. A luta no lar e' entre o casal com os seus proprios desiquilibrios. A luta no lar nao potencia solidariedades entre mulheres, nao as organiza. Os grandes avancos na emancipacao feminina fizeram-se na rua, em publico, quando as mulheres se organizaram para votar, para trabalhar, por melhores salarios, para serem respeitadas.
 
Pelos vistos em casa faz falta a organização...
 
De facto, a luta organizada das mulheres é condição da sua emancipação - no trabalho, na sociedade e na família.
Por um lado, pela consciencialização, por outro, pela acção.
 
colocar o problema da desigualdade entre os sexos no plano de quem faz ou deixa de fazer as tarefas domésticas é mais ou menos o mesmo que passar ao lado da definição de "classe". no meu caso, por exemplo, sou eu que faço tudo e da última vez que olhei era homem.
 
lá porque tu fazes tudo em casa, não faz disso a regra geral.
 
Pedras: pelas estatísticas sugiro que olhes outra vez...
 
vai dar mais ou menos ao mesmo que aquelas coisas das estatisticas sobre criminalidade e imigrantes.
 
Amílcar,

A postagem nada tem a ver com "emancipação feminina".
 
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