04 abril 2008

 

Um país infantil?


A menina com nome de pedra preciosa está de novo nas notícias. Esmeralda é outra vez objecto de repelões retóricos e físicos. No último episódio da novela, foi a menina que não quis sair do carro enquanto o pai biológico era sujeito a insultos de populares. Neste caso reina o obstuso histerismo, os folhetins escrevem volumes com carregada convição e determinado moralismo. Portugal foi chamado a testemunhar na litigação. A decidir que pais merecem mais o afecto da crianca: os biólogicos (carnais, obreiros, incertos, sujos) ou os adoptivos (afectuosos, dedicados, seguros, puros). Tudo se mistura neste caldo: classe, religião, moralidade, justiça, romance. Todas as objeções e protestos se concentram e explodem.

Deixou de me chocar este exagerado apego à infância e a sua proteção. É parte da bagagem que Portugal herdou do catolicismo e que assumiu como obcessão hipócrita. Porque enquanto colectivamente choramos a sorte da preciosa Esmeralda, o abuso real das crianças que trabalham, das que se prostituem, continua invisível.

Comments:
Tivesse o pai da garota amigos influentes na sociedade e na comunicação social como tem o dito sargento e este assunto já estava resolvido há muito tempo.Mas esta telenovela tem sido muito bem ensaiada,nada do que vemos é expontaneo,é deliberado para comover os corações mais sensiveis,juntar público e comunicação social á porta dos tribunais,para que as sentenças em vez de serem decididas lá dentro o sejam na praça público.
 
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