18 setembro 2007

 

O filão da doença - v.1.03


Numerosos estudos têm confirmado como o sector privado é menos eficiente (na lógica qualidade/preço) na área da saúde. Para o mesmo resultado necessita de gastar mais dinheiro. Assim, não é de surpreender que os países com uma saúde "menos" pública obtenham piores resultados (ver por exemplo aqui).

O Ervanário nota aqui, e bem, que o SNS é essencialmente público e, no entanto, não consegue resolver por exemplo as listas de espera. A questão aqui é que o SNS não é puramente público (não lucrativo). Não só os utentes/doentes já pagam muito, como a maior parte da oferta ou é privada (medicina dentária, ginecologia, oftalmologia e cardiologia) ou está enredada por interesses privados.

A percentagem do orçamento da saúde que acaba nas mãos destes é enorme. De farmacêuticas a farmácias, todas se ficam a rir menos o doente. Em comparticipações de medicamentos vendidos nas farmácias o Estado gastou 824 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2007. Já nos hospitais, a "despesa com medicamentos oncológicos representa a grande fatia (40%) da despesa total em medicamentos e 6,6% do total da despesa da saúde". Enquanto isso, são os agentes de propaganda médica que aconselham e ensinam aos médicos como devem efectuar certos procedimentos médicos, obviamente pagando-se bem por estes.

Em suma, é o lucro que vive da doença que impede o sistema de saúde de apostar em soluções preventivas usadas com sucesso por outras paragens.

(este artigo é uma continuação daqui)

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Nem mais.
 
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