18 setembro 2007

 

Descubra as diferenças (II)



Não é de hoje, nem é de ontem. A argumentação é podre, mas tal como mosca em cima de merda, cria um zumbido ensurdecedor. Fala-se da complacência da justiça perante os actos da "extrema-esquerda" e da suposta rigidez justiceira perante a "extrema-direita". A justiça e polícia portuguesas terão uma mão leve sobre a extrema-esquerda, e um outro peso para a direita. Mário Machado continua na prisão, inceitável num estado de direito. Os verde eufémios não foram vítimas de uma carga policial, igualmente inaceitável num estado de direito.

Para levar o aviso a sério, é preciso não ter consciência nenhuma dos movimentos de extrema-direita em Portugal. É preciso ignorar as redes de tráfico de droga e de prostituição, da venda de armas ilegais e as ligações à máfia dos porteiros/seguranças. Basta olhar para a última violação da extrema-esquerda. A destruição de um hectare de milho. Foi anunciada previamente e os participantes nem uma catana sequer possuiam para desbastar as ditas maçarocas. O único acto de violência registado, e amplamente projectado por Mário Crespo como uma cobarde e brutal agressão, foi um pontapé nas costas de um agricultor quando este se preparava para agredir uma manifestante. Pontapé, esse, que provavelmente nem chegava para deitar o João Pinto ao chão (o agricultor mal se mexeu). Ou os incidentes na altura do 25 de Abril. Na imprensa descreveu-se um ambiente de revolução sul-americana, molotovs e very-lights na Baixa e no Carmo. No entanto, nem uma chamusca no lugar do crime. Em vez disso, uma colecção fotográfica de violência policial.

A nossa direita já nos habituou a preocupar-se pouco com os factos, ou sequer em investigar o que quer que seja. Já na altura do arrastão, preferiram unanimemente reportagens sensacionalistas da TVI a um trabalho de investigação. Percebe-se, a jornalista era de esquerda. Se um jornalista de outras inclinações o tivesse produzido, talvez merecesse a sua atenção, mas aparentemente ninguém de outras inclinações parece preocupado em ter tal trabalheira.

Há quem queira ver o Gualter Baptista a levar com um tiro de caçadeira, e ao mesmo tempo preocupado em colocar Mário Machado cá fora. O Gualter é abusado por jornalistas, o Mário ameaça jornalistas. Que tentem criminalizar movimentos ecológicos, sociais ou libertários, não me espanta. Só me espanta que não olhem a meios e se baixem ao ponto de vir defender assassinos e rufias em plena praça pública. Nojo.

Comments:
muito bem
 
Ainda nao nos livràmos do fantasma do botas.
 
O movimento Verde Eufémia é de extrema-esquerda...?

Eu não costumo colocar os elementos da sociedade sob categorias políticas. Se uma cambada de energúmenos gostam de mostrar atracção pelo nazismo e são simultaneamente traficantes de droga ou mafiosos, não sei o que é que eles serão primeiro: extremistas políticos radicais ou criminosos.

Em Portugal temos bastante menos violência politicamente motivada do que noutros países, o que provavelmente leva a que qualquer caso ganhe um tratamento enorme por parte dos media. Existem por cá movimentos de extrema direita com indivíduos armados e com cadastro, felizmente são poucos e Portugal é um dos poucos países europeus onde partidos políticos de extrema direita nunca tiveram representação parlamentar ou lugar numa assembleia municipal.
 
Eu usei os mesmos ro'tulos de quem eu critiquei. Provavelmente e' a pior forma de comecar uma argumentacao, mas era para usar a mesma terminologia.

Os verdes eufe'mios, pessoalmente, nao iria chamar de extrema-esquerda. Quem eu iria chamar de extrema-esquerda?, nao te sei bem dizer, aqui 'a minha esquerda a coisa parece-me um bocado vazia, e eu pessoalmente considero-me simplesmente de esquerda.

Mas ha' quem os considere em Portugal de extrema-esquerda (juntamente com o BE, tentem conter o riso), porque em Portugal e' o exemplo mais pro'ximo que tens tido nos u'ltimos tempos de accao directa.

Mas ro'tulos 'a parte, o que interessa ver aqui e' que a comparacao entre as accoes de grupos neo-nazis tem sido amplamente feita aos actos dos verdes eufe'mios, aos manifestantes do 25 de Abril, ou a accoes de pessoas ligadas a sindicatos (sejam de extrema-esquerda ou nao, nao interessa). E isto eu acho atroz.

A agenda e' simples: criminalizar a todo o custo qualquer accao popular, movimentos de contestacao, etcs que nao joguem pelas regras que lhes agradam. O respeito 'a propriedade privada acima de tudo.

Nao acho que seja assim tao fa'cil dissociar o lado criminal destas organizacoes neo nazis do seu lado poli'tico. Parte da sua accao poli'tica passa pela luta urbana armada contra grupos raciais alvo. Isto leva-os ao envolvimento no tra'fico de armas, o que esta' ligado a todos os outros esquemas que citei.
 
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