03 julho 2007

 

The Feminine Mystique


O Sismógrafo fez-nos chegar uma classificação dos 10 livros mais perigosos publicados nos séculos XIX e XX, de acordo com um grupo conservador.
Em sétimo lugar, aparece “The Feminine Mystique”, uma obra de investigação que lançou Betty Friedan. Por razões óbvias, não posso deixar de comentar tal classificação.
Não me vou sequer dar ao trabalho de rebater os argumentos usados para a sua classificação, pois além de serem básicos (no pior sentido), o livro fala por si.

Betty Friedan limitou-se a documentar por entre as suas ex-colegas de faculdade qual a vida que estas levavam 15 anos depois de terem acabado a faculdade. Estas eram das mulheres com maior nível académico dos Estados Unidos da América... e tinham-se tornado donas-de-casa. Tinham trocado um futuro promissor enquanto profissionais em várias áreas, pelos tachos da cozinha, o ranho dos filhos e o jantar do marido. A questão é que não eram felizes neste papel. Este problema - the problem that has no name - Betty Friedan descreve logo no prefácio do seu livro: There was a strange discrepancy between the reality of our lives as women and the image to which we were trying to conform, the image that I came to call the feminine mystique. Bombardeada por publicidade e pelas poderosas revistas femininas da época, construiu-se na sociedade americana a ideia de que as mulheres eram felizes o bastante enquanto mães e esposas, papéis em que podiam explorar e demonstrar toda a sua feminilidade. Estas mulheres, tentando corresponder a uma imagem que não reflectia os seus sentimentos, muitas vezes sentiam-se tristes sem perceber porquê, crentes de que o problema residia nelas e não no que se esperava delas.

Ao desconstruir toda a máquina que produziu a feminine mystique, Betty Friedan foi mais que uma simples jornalista de esquerda. Foi uma investigadora que se atreveu a fazer aquilo que muitos na época não fizeram: questionar a própria sociedade em que vivem. É também disso que estes conservadores têm medo.

Comments:
Isso vindo de quem vem, é mais uma distinção...
 
bem,
parece que a menina é desaconselhada...
mas como eu não ligo aos que os outros dizem... eheh
bjs
 
Da minha experiencia nos EUA a coisa nao esta muito diferente hoje. Tenho colegas que, mesmo com doutoramento e bons empregos, deixam de trabalhar ou passam a part-time quando os filhos nascem. O que 'a partida ate podia ser uma vantagem -- um sistema que te permite estar com os filhos -- nao o e', porque que sao sempre e so' elas que o fazem.

O reverso da mesma medalha e' que para uma mulher chegar a lugares de topo nao pode ter filhos, o que tambem e' bastante assustador.
 
Nota'vel tambe'm e' surgir a "Origem das Espe'cies" como mencao honrosa... :)
 
Acho que o João Miranda teria certamente umas reflexões interessantes sobre a divisão sexual do trabalho.

Talves do género do post anterior?
 
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