10 março 2007

 

Como se defende o fascismo...


Luciano Amaral não engana, é como o algodão. Já aqui se falou da besta. Não muito para não se dar mais relevância do que tem. Mas por vicissitudes várias deparei-me com trabalho dele (que não a coluna no DN) e tinha de desabafar.

Em 2005 preparava um livro intitulado: "Como se Desenvolve um País: Crescimento Económico em Portugal durante o Estado Novo (1950-1973)". Para além deste esclarecedor título, deixo-vos um excerto de outro dos seus trabalhos que antevê o que o livro oferecerá:

[Sobre a emigração] "As oportunidades para a emigração foram grandes quando a economia mundial esteve em expansão e o país foi capaz de participar nos movimentos internacionais de trabalho graças ao comportamento da sua população. Isto é, enquanto a natalidade continuou a ser relativamente elevada em Portugal (comparada com os países de destino dos emigrantes) e enquanto os portugueses abandonaram muitas das suas actividades económicas tradicionais, Portugal participou nesses movimentos. Mas, à medida que o país se aproximou do comportamento demográfico e da estrutura de emprego característicos dos países mais desenvolvidos, deixou de poder participar da mesma maneira naqueles fluxos internacionais."

(Informação útil - Emigrantes: -133.315 em 1940-50
-685.304 em 1950-60
-1.302.524 em 1960-70)

Comments:
O campeao continua a ser o Pedro Arroja no Blasfémias...
 
Machel,

O inimigo actual é o neo-liberalismo e não o neo-conservadorismo. Por isso, precisamos "bloguear" aqueles que representam aquela primeira linha de pensamento económico.
O que este senhor escreveu sobre a emigração faz parte dum crime, e emigração, que nunca será punido.
 
A preguica intelectual destes senhores e' evangelica. Eles nao sentem nenhuma necessidade de estudar o mundo (ou o passado neste caso), nao querem descobrir nada, nao tem perguntas. Eles torturam o arquivo historico ate que este desabafe aquilo que ja sabem. Sao sermoes.


Sacco e Vanzetti,
Pelo menos em Portugal, o neo-liberalismo tem formas inesperadas, muito apegadas ao paternalismo fascista. E mesmo globalmente, o neoliberalismo ja foi mais apregoado do que e'. A retorica do Clinton sobre a globalizacao fui substituida por uma doutrina imperial, onde os mercados nao se querem livres.
 
Cabral,
Há ainda uma diferença entre fascismo e neo-liberalismo:no método, na pregação, etc. O que aquele senhor escrevinhou,e cujo título do "posting" cita, é a defesa do fascismo, é diferente dos neo-liberais.
Acho tempo perdido com aqueles senhores, os ultra-conservadores. A análise correcta para uma revolução está em saber qual o inimigo. No caso presente, acho eu, é o neoliberalismo. Por isso, não percamos tempo e papel virtual com os outros. (Refiro-me aí)
Aqui é diferente.
Os mercados foram sempre livres depois do feudalismo e apenas deixarão de o ser quando existir uma economia sem-mercado.
 
Este inimigo e' um agente de muitas estrategias. O inimigo e' uma classe-cultura-sociedade que para a sua preservacao tem uma estrategia hibrida e variavel.

O neo-liberalismo como estrategia de poder parece-me esgotado. A terceira via esta defunta. Os grandes acordos da OMC estao pendurados sem resolucao. A geopolitica ja nao se faz sobre o signo da aldeia global do investimento estrangeiro mas sobre o signo do benevolo imperio e da intervencao militar.

Talvez tenhas razao em dizer que Portugal vive ainda a cauda deste movimento, com uma decada de atraso. Mas a nova estrategia ja se vai desenhando e tem formas que nao sao neo-liberais. Tambem a estrategia nao sera fascista, alias estes apologistas do fascismo nao sao bem fascistas - sao conservadores, xenofobos, securitarios mas nao sao corporativos. A nova estrategia passa nao pelo reforco do internacionalismo do capital mas por um regresso ao estado nacao, e 'a igreja nacao. Porque? Porque o neoliberalismo libertou os movimentos do trabalho e das migracoes e nao sabe lidar com essa nova forca.
 
Plenamente de acordo!
Obrigado pelo teu esclarecimento sobre "a nova estratégia...............com essa nova força."
Sempre achei que a historieta da globalização era a última hipótese para o sistema. Pois faz sentido o querer regressar ao estado-nação. Sinto-o aqui.
Mas na Europa!? Não há futuro para Os Estados Unidos da Europa?
 
Esta' a ser um parto dificil. A cada passo vai-se extendendo e aprofundando com hesitacoes. Abriu a leste. Integrou a financa. Quer integrar a defesa, mas ninguem acerta como. Mais, o debate sobre a constituicao (abortada) e sobre a inclusao da Turquia revela que ha limites para este projecto. Sao ainda os estados nacoes que dominam e que se degladeiam em "novas" e "velhas" Europas. (Ou sera mais um tango de bem te quero e mal te quero?)

Acho que o trabalho ideologico e politico actual abandonou o enfase da globalizacao porque na Europa a sua funcao foi mais ou menos esgotada - integracao financeira, e o desmantelamento progressivo do estado providencia. O grande jogo na Europa como nos EUA e' agora travar o ascenso do Oriente e da America Latina, e para tal ha quem queira rearmar os Estados Nacoes.
 
Entendido! Hoje ficamos por aqui.
 
Sacco e Vanzetti:
O Cabral respondeu primeiro e melhor do que eu teria feito.

Abraços,

Samir
 
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