08 outubro 2006

 

An inconvenient truth (2006)


Têm muitos nomes: neo-conservadores, administração Bush, evangélicos, imperialismo Americano, e a cada nome se associa uma análise distinta que distribui a culpa em planos ideológicos, partidários ou materialistas. Inegável porque consensual, é a campanha norte americana que nega ou minimiza as evidências de um aquecimento antropogénico do globo.

Neste filme o ex-vice presidente Americano Al Gore anuncia com pompa uma verdade: o globo terrestre aquece. Esquecida fica a outra verdade, mais política, mais imediata, que a América intencionalmente negligencia e/ou mina respostas ao problema. No hábil manusear de diapositivos no seu luminoso iBook, Gore opera uma encenação onde estudos, anedotas e biografia definem o problema do aquecimento global como um vício de moralidade e cidadania. Assim, enquanto as recentes catástrofes meteorológicas são acomodadas por “ciência”, com gráficos e referências a estudos, as questões económicas e de equidade face a propostos tectos sobre os consumos de carbono, são discutidas com anedotas e uns desenhos animados. Se alguns aspectos pedem o peso dramático dos “cientistas” (muitos alegadamente perseguidos pelas suas investigações), outros aspectos são ignorados ou ridicularizados para nos distrair da sua gravidade.

Seguindo o argumento de Gore, e embora não haja coragem para o enunciar claramente, esta verdade é inconveniente para a massa de cidadãos (e potencias económicas emergentes) que compram os carros errados, que não reciclam, que não usam lâmpadas económicas, que não isolam as casas. As vítimas são também os criminosos. Segundo a mitologia capitalista não há capitalistas ou estrategas industriais, ao invés uma massa de consumidores dirige o sistema económico, e portanto foram estes que facilitaram o parto de uma economia dependente no consumo de hidrocarbonetos. Por outra mitologia, a democrática, não há poderes económicos a dominar o estado, ao invés a massa de eleitores dita a magistratura, e portanto são estes que permitem à administração americana atrasar acordos ambientais.

Se recusarmos o engano desta amputação da política, devíamos renomear este filme de “A verdade e o inconveniente.” Al Gore esteve na Casa Branca por dois mandatos, e mais tempo ainda no Senado, um filho da nobreza política de Washington, foi submisso naquilo que agora defende com messianismo. Ele foi o candidato que se rendeu à burla eleitoral de Bush em 2000, para resgatar o sistema eleitoral americano do escândalo. Ele reinventa-se agora como missionário moral, que abdica da sua paz pessoal para viajar pelo mundo comunicando o iminente apocalipse. É uma nojenta ironia que os líderes do império, da nação mais poluidora do mundo, o maior travão à cooperação internacional em defesa ambiental, professem agora como os primeiros arautos da verdade, e como vanguarda da renascença moral. É assim que nos confundem e nos sufocam.

Comments:
Gore e Bush
como Bush pai e Clinton
Como, para tristeza de alguns romanticos, o próprio JFK,
são a mesma face da mesma moeda!

quem dirige o Império, dirige o Império.

Desde os tolos que se mataram pelas "tetas da loba" no Império Romano.

As diferenças são pura cosmética.

Alguém acredita que entre Lula e Alckmim se fará um Brasil diferente???
 
Diferencas ha, mas apesar das diferencas e por artes arcanas, ha pouco que mude nas maos de uns e outros.
 
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