01 junho 2006
Do lixo para a bomba

Não há justificação para a energia atómica em Portugal. O único benefício retiram-no os piratas do bolso dos contribuintes, pelos subsídios onde o projecto certamente receberia. Mais fundamental e preocupante é o risco de militarização ou de envolvimento com a indústria de armamento que advém da introdução do nuclear em Portugal. O urânio refinado que alimenta os reactores das centrais eléctricas é o agente explosivo das bombas atómicas. O plutónio produzido nos reactores das centrais, o lixo da fissão, tem iguais usos genocídias. E até os dejectos da refinação do urânio (urânio empobrecido) encontram utilidades militares, revestindo os obuses anti-tanque.
O problema dos lixos nucleares não se coloca ao nível da física nuclear, buscando soluções para encurtar os milhares anos de emissão radioactiva destes lixos. A problemática é geopolítica. A indústria nuclear civil está em comunhão com os interesses do militarismo imperialista. A indústria civil facilitou os materiais para construir, em posição de monopólio, o terrível arsenal atómico do ocidente. Os lixos da indústria civil são parte do arsenal dos exércitos da OTAN. As autoridades sérvias estão ainda a grande custo a localizar e extrair a cerca de tonelada e meia de urânio empobrecido que têm no seu subsolo. Mas o caso mais gravoso é o do Iraque, onde após a guerra de 1991 houve um aumento de 66 por cento em leucemias e cancros no sul do país. Investigações preliminares indicam que estes valores receberam um incremento de 20 por cento desde o início da guerra de 2003. Aqueles que resistem ao imperialismo são feitos num cemitério mortífero para as sobras da produção energética ocidental, envenenados por milhares de anos.
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