04 março 2006
Resistir ao saque
Este post é uma reacção ao comentário recente de Spartakus sobre o nosso apelo às jornadas de luta de 18-20 Março.Neste blog interrogamo-nos como reagir perante à ocupação ilegal do Iraque pelas forças armadas americanas? Ao ler o comentário de Spartakus não encontro resposta a esta questão. Não elucidam o emaranhado de considerações afectivas, e o que me parece algum ajuste de contas revanchista, por exemplo: “Não me lembro de ver o senhor Al Kukaysi ou a CGTP organizarem jornadas de solidariedade com a maioria xiita do Iraque.” À revelia da memória de Spartakus, a esquerda destas jornadas de luta é a mesma que se opôs à guerra Irão-Iraque financiada por Washington, e que denunciou o extermínio xiita no pôs primeira Guerra do Golfo, feito sobre a vigilância do exército ianque.
Não nos apraz aplaudir uma democracia vigiada, censurada, imposta. Democracias desta ordem são desenhadas meramente para dar legitimidade as forcas ocupantes, aos contractos que estas ratificam com o governo da nação, para perpetuar um saque sancionado em contrato. A lógica da ocupação Americana oportunistamente utiliza as divisões étnicas e religiosas do Iraque para enfraquecer o seu Estado, seccionado em três: curdos, sunitas, xiitas. É um modelo com que nos já habituaram, pós-Jugoslávia, em que os micro-estados são supostamente mais genuínos. Não vamos esquecer estas questões para nos curvarmos às propagandas dos media sobre o maná da democracia que descende sobre o Iraque.
Spartakus aponta que: “Apelar de "resistência" um punhado de terroristas é insultuoso.” É verdade! É insultuoso chamar de terroristas à resistência diária do povo iraquiano. Todos os dias nas ruas, a resistência força o exército americano a ser refém nas suas próprias bases militares. Face a um povo que não aceita a sua subjugação o padrão de acção militar americana é cada vez mais exercício de uma forca insana de assassínio em massa e tortura, enquanto a sua prioridade primeira permanece proteger poços de petróleo e pipelines.
É face a tudo isto que respondemos: não à ocupação Americana. Face a tudo isto só podemos aplaudir a coragem do povo iraquiano na sua luta, e não nos perdemos em pudores sobre a forma que essa resistência decida tomar.
Comments:
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Kamarada, pelo vistos continuamos de acordo no essencial mas não no resto. quanto a divisões as únicas que existem, de facto, é que no iraque há 70% de xiitas, agora no poder, eleitos, e não uma minoria sunita levada lá pela mão de saddam. e insisto que o terrorismo sunita faz o jogo dos ocupantes. se os gi's estão confinados às bases, pipelines e oleadutos está mais que visto - e vê-se diáriamente - que é o povo comum iraquiano, os civis, quem é vítima da tão celebrada "resistência". o povo, esse, queira-se ou não, votou. quantos votos teve o sr. kukaysi?,,,será sunita?...laico?...o perfil do dito é conhecido. no resto, o líder da dita resistência até é jordano.
p.s. - eu dou uma pista para resolver a ocupação. não apoiar o "terrorismo da resistência" que objectivamente faz o jogo do ocupante e lhe dá desculpas para ficar e se manter. apoiar o legítimo governo iraquiano e pressionar a força ocupante e a comunidade internacional a entregar o destino do Iraque ao governo legitimamente eleito pelo seu povo nas urnas.
Ó Spartakus, mas porque achas que esses líderes "eleitos" estão lá? Por serem xiitas? Ou antes por serem umas marionetas de Bush e afins?
Como em tempos foi Saddam a aposta dos EUA para afastar influências soviéticas. Como eles fizeram e continuam a fazer pelo mundo fora. Basta olhar para a história.
Não compreendo é como pessoas honestas e sinceras sejam
"enganadas" tantas vezes. Uma vez está bem, duas vezes, vá lá, mas mais...
Como em tempos foi Saddam a aposta dos EUA para afastar influências soviéticas. Como eles fizeram e continuam a fazer pelo mundo fora. Basta olhar para a história.
Não compreendo é como pessoas honestas e sinceras sejam
"enganadas" tantas vezes. Uma vez está bem, duas vezes, vá lá, mas mais...
Tu pois em causa as eleições. Eu não. TODA a comunidade internacional também não. Uma minoria no país, 20%, pôe, porque se absteve. sunita. para mim é natural e normal que os 60% ou 70% dos xiitas tenham assim votado. porque conheço o terreno. porque, queira-se ou não, o peso religioso de nadjaf é imenso. porque, goste-se ou não existe divisão. o próprio bush nunca deve ter pensado que os partidos religiosos pró iranianos vencessem. o 1º ministro dele era um laico com pretensões a ditador. lembras-te? os u.s.a. estão a braços com o nascimento de uma nova república islâmica...duvido, muito sinceramente, que o bush queira no poder jaffari ou al hakim. os sunitas têm de se subordinar à maioria. e eu respeito o voto deles. o voto é soberano. mesmo quando não nos agrada.
Então vocês querem a retirada imediata, não é? Era lindo se isso sucedesse. Lindo. Aí sim é que era garantido que o Iraque se transformava numa Democracia modelo da noite para o dia. Na senda da autêntica e genuína tradição Democrática do seu vizinho de leste.
Cumprimentos.
Cumprimentos.
só por má fé, e tu não és ignorante, é que podes dizer que o partido do Al Hakim é uma marioneta do bush. Kamarada: ele e as milícias dele viveram no exílio, no Irão. ele é apoiado pelo Irão. ele pertence à escola de Qom...a ser marioneta era do Irão. mas ali o que existe e vocês não percebem ou não querem mesmo perceber, é uma imensa cumplicidade religiosa. aquilo é o Iraque. hoje. não é a europa. os laicos não representam 1% da população. o xá não percebeu isso e acabou da maneira que acabou...vê o iraque com olhos de iraquiano e não de europeu...a não ser que queiras apenas mudar de ditadura. o saddam por outro baasista qualquer.
Ver pelos olhos de quem? Aquilo agora tá tudo fodido é o que é. Não lhe vejo solução possível. As bestas deixavam lá estar o outro cabrão da sadam, incentivavam a mudança de mil e uma maneiras pacíficas, nomeadamente com o estabelecimento de um verdadeiro programa de paz para a Palestina. Isso pareceu possível aquando dos acordos de Oslo. Só que a América continuou a fazer o jogo de Israel e em Israel a direita foi para o poleiro. Agora tá tudo fodido Kamaradas. Não vejo solução, isto irá de mal a pior. Olha, se fosse crente estava a rezar.
Não deu.
Não deu.
E sair agora era uma merda. Era deixar os gajos agarrados. Estou a ver a coisa, por exemplo, pelos olhos dos Kurdos.
zézé, o meu aplauso... sem vocabulário técnico nem "diz que não diz que foi que disse..." é mesmo isso...
Spartakus,
Interpretar o que se passa no Iraque recorrendo a uma matriz religiosa e' demasiado simplista. Se e' assim tao matematico o padrao de voto, entao ate podiamos dispensar o plesbicito, fazia-se um censo religioso e distribuiam-se lugares no parlamento. O que se passou nas eleicoes foi bem mais complexo. O mapa politico iraquiano alem da matriz religiosa tem tb a relacao das forcas politicas com a ocupacao - a linha politica do Moktada Al Sadr por exemplo e' proscrta do plesbicito porque e' contra a ocupacao, apesar de ser xiita! Ganha quem agrada ao ocupante, quem aceita as regras de umas eleicoes vigiadas, e de um estado manco que em tudo precisa de avalo de Washington. Como pode haver democracia sem soberania? E' por isso que estas eleicoes sao uma farsa porque foi censurada a opcao de ser contra a ocupacao e nisso nao foram livres!
P.S. Se acreditamos que o Al Zarquawi (o jordano) e' lider da resistencia, porque nao dizer logo que o Bin Laden e' quem manda. O Zarqawi e' mais um conveninente monstro para ligar a resistencia 'a Al Quaeda. Nao vou nessa!
Interpretar o que se passa no Iraque recorrendo a uma matriz religiosa e' demasiado simplista. Se e' assim tao matematico o padrao de voto, entao ate podiamos dispensar o plesbicito, fazia-se um censo religioso e distribuiam-se lugares no parlamento. O que se passou nas eleicoes foi bem mais complexo. O mapa politico iraquiano alem da matriz religiosa tem tb a relacao das forcas politicas com a ocupacao - a linha politica do Moktada Al Sadr por exemplo e' proscrta do plesbicito porque e' contra a ocupacao, apesar de ser xiita! Ganha quem agrada ao ocupante, quem aceita as regras de umas eleicoes vigiadas, e de um estado manco que em tudo precisa de avalo de Washington. Como pode haver democracia sem soberania? E' por isso que estas eleicoes sao uma farsa porque foi censurada a opcao de ser contra a ocupacao e nisso nao foram livres!
P.S. Se acreditamos que o Al Zarquawi (o jordano) e' lider da resistencia, porque nao dizer logo que o Bin Laden e' quem manda. O Zarqawi e' mais um conveninente monstro para ligar a resistencia 'a Al Quaeda. Nao vou nessa!
Nao vejo que o fim da ocupacao seja equacao directa com catastrofe politica, com guerra civil. Na ausencia de armas de destruicao massica, arrumado o saddam, esta e' a nova justificacao: que os arabes sao uns infantis ou barbaros que sao incapazes de se governarem por si.
Nos no ocidente que gostamos tanto de louvar democracia, somos incapazes de deixar os iraquianos fazer o seu caminho. Se fosse Portugal ocupado pelos Americanos, sera' que pediamos ao exercito americano para ca ficar "a tomar conta da gente" porque a malta do Norte nao se entende com a malta do Sul?
Abracos
Nos no ocidente que gostamos tanto de louvar democracia, somos incapazes de deixar os iraquianos fazer o seu caminho. Se fosse Portugal ocupado pelos Americanos, sera' que pediamos ao exercito americano para ca ficar "a tomar conta da gente" porque a malta do Norte nao se entende com a malta do Sul?
Abracos
Mais uma vez, sorry, errado. Al Sadr tem representantes no Parlamento e concorreu às eleições, com as restantes listas xiitas. Tem uma posição mais radical mas, atente-se, NUNCA até hoje desobedeceu directamente a Al Sistani. Pois. O verdadeiro poder no Iraque, onde tudo depende de uma palavra sua. Só que al Sadr tem um problema. Religioso. Não tem autoridade, não é um aytollah, e a posição dele radica na dupla necessidade de criar espaço para si próprio face a Al Sistani como também tem a ver com a velha separação da escola xiita iraquiana face à iraniana. Al Sadr tem votos mas não tem reconhecimento e procura esse peso religioso e político através de posições que rompem com a maioria da comunidade xiita. Mas, do que sei, nenhum xiita defende a ocupação. Como nunca Al Sadr, acredita, se irá virar contra outro xiita ao lado de um sunita. Esperar isso é não saber NADA do xiismo. Aí, só os curdos.
Concordo com o Cabral num ponto. Sem americanos já não havia "resistência". O assunto já estava arrumado. Mas isso só me dá razão. A "resistência" serve o interesse americano e só por causa deles existe. E claro que bin laden e os seus terroristas existem. A américa precisa deles. Sem serem eles, resistentes no iraque, só os saudosistas de saddam. E a esses ninguém os quer lá. Acho. Nem nós, nem eles.
Concordo com o Cabral num ponto. Sem americanos já não havia "resistência". O assunto já estava arrumado. Mas isso só me dá razão. A "resistência" serve o interesse americano e só por causa deles existe. E claro que bin laden e os seus terroristas existem. A américa precisa deles. Sem serem eles, resistentes no iraque, só os saudosistas de saddam. E a esses ninguém os quer lá. Acho. Nem nós, nem eles.
Sabes bem que nao "e' errado."! O Moktada nao pode participar em direito completo nas eleicoes por motivo da milicia que preside, o Makdi army. A forca ocupante exigiu que ele abandonasse a accao de ruas para que participasse, e' nesse sentido que eles ditam regras.
Foi nesse momento de impasse que o Al Sistani entrou na historia e so' nesses casos extremos para que o Al Sadr desse um passito atras, mas mesmo este parece precario se prestares atencao ao que se passa actualmente no Parlamento Iraquino.
O Sistani permanece mediador, e ao contrario dos apelos dos Americanos que o veem como possivel cabeca moderada para as faccoes, este nao quer participar directamente no jogo politico. Parece-me que se intervisse de forma mais directa perdia a legitimidade que tem hoje. Mesmo os grupos xiitas que parecem na sua globalidade etnica beneficiar da actual situacao, estao divididos (fundamentalmente sobre como lidar como os americanos), sao diversos e nao sao o bloco politico que os media fazem crer.
Foi nesse momento de impasse que o Al Sistani entrou na historia e so' nesses casos extremos para que o Al Sadr desse um passito atras, mas mesmo este parece precario se prestares atencao ao que se passa actualmente no Parlamento Iraquino.
O Sistani permanece mediador, e ao contrario dos apelos dos Americanos que o veem como possivel cabeca moderada para as faccoes, este nao quer participar directamente no jogo politico. Parece-me que se intervisse de forma mais directa perdia a legitimidade que tem hoje. Mesmo os grupos xiitas que parecem na sua globalidade etnica beneficiar da actual situacao, estao divididos (fundamentalmente sobre como lidar como os americanos), sao diversos e nao sao o bloco politico que os media fazem crer.
É, mudei de opinião. Agora também sou a favor da retirada imediata. Retirar tudo. As multinacionais, as tropas, os homens de negócios, os técnicos, tudo. Nem mais um dólar para o Iraque. Já temos problemas que bastem no Ocidente.
É retirar já e deixar aquela merda entregue a si própria. Realmente, eles que se fodam uns aos outros, que se matem uns aos outros como bem entenderem. Que façam uma revoluçãozinha islâmica à maneira, que ponham burkas nas mulheres dos gajos, que enriqueçam o urânio como bem lhes apetecer. E quando se tornarem realmente perigosos despejam-se uma série de nukes que tá logo o assunto arrumado.
E a tua comparação foi falaciosa Cabral. Comparar a malta do norte e sul de Portugal com os Kurdos e os outros é uma falácia total. Acho que terias utilizado melhor exemplo se tivesses referido outros países como a Turquia ou o Irão. Vê o que se passa com os Kurdos nesses países, depois diz qualquer coisa.
Abraço cordial
É retirar já e deixar aquela merda entregue a si própria. Realmente, eles que se fodam uns aos outros, que se matem uns aos outros como bem entenderem. Que façam uma revoluçãozinha islâmica à maneira, que ponham burkas nas mulheres dos gajos, que enriqueçam o urânio como bem lhes apetecer. E quando se tornarem realmente perigosos despejam-se uma série de nukes que tá logo o assunto arrumado.
E a tua comparação foi falaciosa Cabral. Comparar a malta do norte e sul de Portugal com os Kurdos e os outros é uma falácia total. Acho que terias utilizado melhor exemplo se tivesses referido outros países como a Turquia ou o Irão. Vê o que se passa com os Kurdos nesses países, depois diz qualquer coisa.
Abraço cordial
Zeze,
Ha uma serie de pontos no teu comentario que me chocam, pelo seu racismo:
1. O paternalismo com que falas do povo do medio oriente, como umas bestas que se matam uns aos outros, se forem entregues a si proprios. Todos os povos tem direito a ser entregue a si proprios, e' a isso que se chama soberania. Os arabes sao tao inteligentes e capazes como nos. Nao precisam de paizinhos ou policia a tomar conta deles. Ainda menos precisam de Abu Ghraibs, Shells, BPs ou Halliburtons a sugar-lhes o tutano.
2. A tua escolha de exemplos, como a Turquia e os Curdos, nao e' nada feliz, porque quem financiou os massacres levados a cabo pela Turquia (ou o Irque) sobre os Curdos foi o ocidente: EUA 'a cabeca, Inglaterra, Alemanha e outros lacaios como Portugal. E mais uma vez assim se ve o teu racismo. Afinal todos os males do mundo vem do oriente, nao e' assim?
3. E nao venhas com essa historia do uranio e das armas nucleares no medio oriente. Como todos sempre soubemos, nunca foram encontrados sequer vestigios no Iraque. O pais que mais investe, que ameaca e o unico que usou e continua a usar armas nucleares sao os EUA.
Ha uma serie de pontos no teu comentario que me chocam, pelo seu racismo:
1. O paternalismo com que falas do povo do medio oriente, como umas bestas que se matam uns aos outros, se forem entregues a si proprios. Todos os povos tem direito a ser entregue a si proprios, e' a isso que se chama soberania. Os arabes sao tao inteligentes e capazes como nos. Nao precisam de paizinhos ou policia a tomar conta deles. Ainda menos precisam de Abu Ghraibs, Shells, BPs ou Halliburtons a sugar-lhes o tutano.
2. A tua escolha de exemplos, como a Turquia e os Curdos, nao e' nada feliz, porque quem financiou os massacres levados a cabo pela Turquia (ou o Irque) sobre os Curdos foi o ocidente: EUA 'a cabeca, Inglaterra, Alemanha e outros lacaios como Portugal. E mais uma vez assim se ve o teu racismo. Afinal todos os males do mundo vem do oriente, nao e' assim?
3. E nao venhas com essa historia do uranio e das armas nucleares no medio oriente. Como todos sempre soubemos, nunca foram encontrados sequer vestigios no Iraque. O pais que mais investe, que ameaca e o unico que usou e continua a usar armas nucleares sao os EUA.
Cara Dolores
Acusas-me de racista e de paternalista coisa que não sou em absoluto. Ao contrário do que tu pensas eu tenho vários amigos árabes e kurdos. Quantos tens tu?
Sim, eu vou às sociedades dos gajos e faço amizades com uma relativa facilidade. De momento vivo com uma inglesa muçulmana. No passado partilhei a minha casa com um egípcio de quem também me tornei amigo. Durante um ano. Só houve um problema. Falar com ele de sexo era tabu. Falar com ele de Religião idem. Para ele Israel não tinha direito a existir. E mais, ele considerava que, "nalguns casos, os fins justificam os meios".
Os meus amigos kurdos do Iraque, sim do Iraque, consideram que a melhor coisa que aconteceu ao Kurdistão foi os americanos terem arrebentado com o Sadam. E, para já, eles não querem que os Américas saíam. Querem que eles saíam mas querem tempo para consolidar a sua posição. Se calhar são só kurdos racistas, não é?
Outra coisa, eu concordo plenamente que os povos devam ter o Direito à auto-determinação. Só que há uma diferença. No caso do Iraque este erro gigantesco que foi a invasão abriu uma caixa de pandora brutal. O número de fanáticos perigosos no Iraque é enorme. Se a América sair já, a correr, aquela merda explodia em menos de um fósforo. E o mais certo era a revolução islâmica, alimentada pelo vizinho do lado.
Que, claro, é um país, que tu, feminista convicta, admiras imenso.
Entendes-te mal o urânio. Não me estava a referir à mentira do Bush. Estava já a ver mais longe no horizonte. Estava a ver duas repúblicas (?) islâmicas no horizonte...Duplamente mais poderosas, com uma dupla capacidade de pressão para avançar com um programa nuclear, que, seguramente, vai tornar o mundo muito mais seguro do que o que já é.
Cumprimentos.
Mas pedia-te que, para a próxima, antes de me insultares, tivesses um bocadinho mais de tolerância para com as opiniões dos outros.
De qualquer forma, sejamos amigos. Nós crescemos a pensar juntos e não ao contrário.
Acusas-me de racista e de paternalista coisa que não sou em absoluto. Ao contrário do que tu pensas eu tenho vários amigos árabes e kurdos. Quantos tens tu?
Sim, eu vou às sociedades dos gajos e faço amizades com uma relativa facilidade. De momento vivo com uma inglesa muçulmana. No passado partilhei a minha casa com um egípcio de quem também me tornei amigo. Durante um ano. Só houve um problema. Falar com ele de sexo era tabu. Falar com ele de Religião idem. Para ele Israel não tinha direito a existir. E mais, ele considerava que, "nalguns casos, os fins justificam os meios".
Os meus amigos kurdos do Iraque, sim do Iraque, consideram que a melhor coisa que aconteceu ao Kurdistão foi os americanos terem arrebentado com o Sadam. E, para já, eles não querem que os Américas saíam. Querem que eles saíam mas querem tempo para consolidar a sua posição. Se calhar são só kurdos racistas, não é?
Outra coisa, eu concordo plenamente que os povos devam ter o Direito à auto-determinação. Só que há uma diferença. No caso do Iraque este erro gigantesco que foi a invasão abriu uma caixa de pandora brutal. O número de fanáticos perigosos no Iraque é enorme. Se a América sair já, a correr, aquela merda explodia em menos de um fósforo. E o mais certo era a revolução islâmica, alimentada pelo vizinho do lado.
Que, claro, é um país, que tu, feminista convicta, admiras imenso.
Entendes-te mal o urânio. Não me estava a referir à mentira do Bush. Estava já a ver mais longe no horizonte. Estava a ver duas repúblicas (?) islâmicas no horizonte...Duplamente mais poderosas, com uma dupla capacidade de pressão para avançar com um programa nuclear, que, seguramente, vai tornar o mundo muito mais seguro do que o que já é.
Cumprimentos.
Mas pedia-te que, para a próxima, antes de me insultares, tivesses um bocadinho mais de tolerância para com as opiniões dos outros.
De qualquer forma, sejamos amigos. Nós crescemos a pensar juntos e não ao contrário.
E mais uma coisa: o meu exemplo foi acertado. Os Kurdos foram perseguidos quer no Iraque de Saddam quer na Turquia quer no Irão. Quem pagou as armas também é culpado? Claro que é? Quem fechou os olhos e até "branqueou" convinha? Também é culpado.
Mas quem matou ainda é mais. E não foram soldados ocidentais a mando de políticos ocidentais.
Lá estou eu a ser racista outra vez, não é?
Mas quem matou ainda é mais. E não foram soldados ocidentais a mando de políticos ocidentais.
Lá estou eu a ser racista outra vez, não é?
( já agora eu também meto o bedelho: eu também não falo sem saber. tenho GRANDES amigos lá, no iraque, no Irão e em Gaza. conheço. conhecerão vocês também assim o terreno?...duvido. )
é Cabral...não conseguimos desligar dos tais afectos e temos mesmo outra visão do "contexto". cumplicidades. e solidariedades. um abraço.
as amizades nao sao "argumentos de autoridade", nao sabes que nomes tenho na minha lista telefonica, nao sabes quem eu sou, nem onde estou ou o que faco... esse e' um jogo retorico facil, e que nos faz de imediato abandonar o discurso politico.
pergunto-me que solidariedades sao estas que vos deixam ir aos copos e conversar, mas quando se trata de devolver a soberania a estes povos, de acabar com a ocupacao pirata do seu territorio arrepiam caminho!
pergunto-me que solidariedades sao estas que vos deixam ir aos copos e conversar, mas quando se trata de devolver a soberania a estes povos, de acabar com a ocupacao pirata do seu territorio arrepiam caminho!
Cabral: claro que não são argumentos de autoridade. são aspectos exteriores, que podem ajudar a perceber as coisas. e não vou aos copos porque só bebo água. e estás a ser desonesto intelectualmente. lê o que escrevi no meu blogue. em caso algum sou a favor da ocupação. demagogia, não. agora, digo e repito. sair a ocupação e entrar outra, não. entregar o Iraque ao governo eleito, sim.
p.s. ( e agrada-me francamente a ideia de uma nova República Islâmica ou, no limite, a integraçao do Iraque xiita no Irão ).
Meus amigos, chamaram-me aqui racista.
Dei-vos então a opinião que recolhi em primeira mão de algumas pessoas que são meus amigos pessoais. E que são kurdos. Dois deles vindos de lá há poucos meses. Todos eles, não são muitos (6) mas são de várias zonas e diferentes backgunds, concordam que ainda é cedo para a saída dos Americanos.
Se a vossa opinião é melhor que a deles e minha não sei. Sei que ao menos os gajos são de lá, viveram o Sadam e agora vivem o que vivem. Reportam esperança e noto que estão confiantes no futuro.
O que sei é que chamarem-me racista e paternalista é algo que não posso deixar passar em claro. Eles têm as mesmas opiniões que eu. Sao de lá. São racistas e paternalistas em relação a quem? A si próprios?
É só isso. Abraço
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Dei-vos então a opinião que recolhi em primeira mão de algumas pessoas que são meus amigos pessoais. E que são kurdos. Dois deles vindos de lá há poucos meses. Todos eles, não são muitos (6) mas são de várias zonas e diferentes backgunds, concordam que ainda é cedo para a saída dos Americanos.
Se a vossa opinião é melhor que a deles e minha não sei. Sei que ao menos os gajos são de lá, viveram o Sadam e agora vivem o que vivem. Reportam esperança e noto que estão confiantes no futuro.
O que sei é que chamarem-me racista e paternalista é algo que não posso deixar passar em claro. Eles têm as mesmas opiniões que eu. Sao de lá. São racistas e paternalistas em relação a quem? A si próprios?
É só isso. Abraço
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