29 março 2006

 

Checkpoint


A RTP surpreendeu. Correcção, a 2 surpreendeu. Ontem fomos premiados com um documentário israelita sobre os checkpoints, os postos de controlo que Israel coloca nas estradas que ligam a Faixa de Gaza e a Cisjordânia a Israel.

O realizador Yoav Shamir limitou-se a deixar a câmara filmar o que ia acontecendo nos checkpoints: as conversas entre soldados e palestinianos a tentar chegar a casa depois de terem ido ao médico, a tentarem visitar a irmã porque o marido desta morreu, a implorarem que os deixem passar, a pontuar a sua humilhação com shallom, na vã esperança de que as palavras em hebraico lhes abram o caminho.

Vemos jovens israelitas, notoriamente de classes mais baixas, putos a brincar aos soldados. Vingam-se da chatice da tarefa nos que passam. Gozam com velhotes que pedem que os soldados lhe olhem nos olhos, assediam raparigas a fazerem-se esquivas, deixam passar as mães mas não os filhos que nem 10 anos têm. Os homens jovens que se aproximam sozinhos têm que mostrar o tronco nu, levantando as várias camisolas que trazem vestidas.

Os soldados mal falam inglês, pouco sabem de árabe. Se queres passar, hebraico deverás falar.

Mas o que impressiona é que percebemos que a câmara é um actor na cena. Muitas das vezes em que a coisa está a azedar, há um soldado de patente superior que se aproxima do soldado que não quer deixar passar um palestiniano ou um israelita árabe, sussurra-lhe brevemente ao ouvido, e este durante mais uns segundos faz-se difícil mas lá deixa passar a pessoa.
Há um soldado que pede a quem filma que não o deixe ficar mal, que antes faça os oficiais ficarem mal vistos. Outro que diz que deixou passar o palestiniano porque ele disse que era a véspera do casamento, tinha que passar por causa dos preparativos da festa, pelo meio explicou que esse era o costume do seu povo.

Outros nem esse pudor têm: declaram abertamente que os israelitas são melhores, que são pessoas e os outros animais. Sem tirar nem pôr.

Uma das cenas finais mostra na perfeição o papel que o registo da câmara desempenha: os palestinianos entendem a arma que têm por uns momentos, ignoram os soldados que disparam para o ar, e avançam para onde quer que queiram ir. Estes entendem que nada podem fazer, e deixam as pessoas ir.

E se a câmara não estivesse lá?

Comments:
e tudo isto porque o imperialismo Inglês quis provar ao mundo que era necessário para que a paz existisse.

Senão vejamos que ex-colonias inglesas deram barraco, porque estes resolveram, antes de sair, criar estados confessionais:

1-palestina-Israel
2-India-Paquistão
3-Iraque (inclusão de territótios sunitas,xiitas e curdos numa só nação)
 
Para mim, a seguir da humilhação gratuita e do espezinhar de um povo, o mais triste é que há quem ache que aquilo é inevitável. Muita gente aceita a mentira de Israel que os checkpoints são vitais para a sua segurança. Quem veja o documentário apercebe-se da bestialidade e discricionaridade do processo, mas também da sua ineficácia.

Quem é ali perseguido são as estudantes assediadas, as famílias que tratam dos seus afazeres, os trabalhadores "commuters". Fez-me particular impressão o medo, especialmente nos rostos dos homens palestinianos que tinham a perfeita noção quão facilmente podiam ser assassinados ou presos.

Quanto aos guardas israelitas pareceream-me vir das classes mais baixas. Uma espécie de carne para canhão.
 
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