05 dezembro 2005

 

O capitalismo da Autoeuropa


Depois de em finais de Setembro a Volkswagen ter usado a Autoeuropa para pressionar os trabalhadores alemães, eis que temos mais notícias de Palmela, um previsível conflito entre administração e trabalhadores. Cito do Público:

..."Já Von Ingelheim sublinha que "só as fábricas com elevados padrões de flexibilidade, salários competitivos e baixos custos com o pessoal têm hipótese" de sobrevivência.
Ingelheim disse que os "óptimos índices de desempenho" da fábrica "não garantem a sua permanência para o futuro", pelo que defendeu reduzir custos com o factor trabalho "onde é possível" sem que "com isso se comprometa os pagamentos regulares"."...

Os trabalhadores da Autoeuropa estão há dois anos sem revisão salarial, querem aumentos entre 3% e 4% e a não redução do valor das horas extraordinárias. A administração da Autoeuropa quer apenas trabalho barato. Não é esse um dos principais problemas da economia portuguesa? Mão de obra pouco qualificada e salários muito baixos? Não há uma falta de poder de compra nos bolsos dos portugueses? Apesar da Autoeuropa não se encaixar completamente no padrão da mão de obra pouco qualificada, esta posição da administração mostra bem o que é o capitalismo moderno: a fábrica de Palmela é repetidamente apontada como um exemplo no grupo Volkswagen, e em troca o que os trabalhadores recebem são congelamentos salariais e perda do poder de compra. E o problema que o mundo das grandes empresas invoca para estas medidas já não são os prejuízos, mas sim a quebra nos lucros...

Comments:
...qualquer dia será pouco razoavel pedir que até lhes pagem para trabalhar!!!
 
Engracado e' notar como as versoes da Empresa mudam de um lado para o outro. Na imprensa alema, referia-se aos trabalhadores alemaes como inflexiveis e anti-mercado, a fa'brica portuguesa era a repu'blica das Bananas. Quando haviam relatos por terras lusas, Portugal era o antiquado sistema socialista, que ja' nao condizia com o mercado de hoje e "Republica das Bananas ha' muitas", bla bla bla...

A verdade e' que realmente sao muitas, mas apesar disso o novo modelo nao vai ser construido em nenhuma delas...
 
E' mesmo inacreditavel que se justifiquem estas medidas com a defesa dos lucros. E' sinal talvez dos dias que correm em que ja nem se questiona a legitimidade ou a origem do lucro.
 
Será que ninguém pensa nos pobres dos accionistas?

É que se os lucros baixam, não dá, não é?! Anda um tipo aqui a investir para receber uma miséria.
 
Nao fazem parte da mesma operacao de marketing? O capitalista foi renomeado accionista que e' um tipo simpatico, como eu ou tu. Somos todos accionistas!

Mas nao sei como e' contigo ainda nao tenho accoes no meu portfolio, so dividas por pagar...
 
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