11 dezembro 2005

 

Eficácia e eficiência cavaquista


Para um economista, esta diferença deve ser muito clara. Cavaco tem-se defendido dos ataques feitos à sua governação com a "obra feita". Controlou o défice e a dívida, desemprego, alcatrão, alcatrão, alcatrão, e outras coisas que tais. A demagogia destas afirmações seria assustadora, não fosse já habitual no discurso do candidato em questão. A qualidade de uma governação não pode ser medida apenas pelo que se realizou, mas as condições em que se conseguiu fazê-lo. E não é difícil relembrar os famosos "um milhão de contos diários" da UE, então CEE, a entrar nos cofres portugueses. E é preciso também ver as maravilhas das estatísticas: o atraso português na larga maioria dos indicadores sociais e económicos herdado do Estado Novo leva a que qualquer progresso tenha uma proporção estatística enorme. E mais, com um país tão atrasado, os primeiros impulsos de atraso são os mais fáceis de recuperar, o problema é quando começamos a aproximarmo-nos do topo. A questão que discuto é simples: a governação cavaquista foi sem dúvida eficaz, resultou numa série de progressos para o país, mas foi eficiente? Não tenho qualquer dúvida de que, com todas as oportunidades e fundos europeus, tinha sido possível fazer muito melhor. Apostar em formação em vez de alcatrão, mudar o paradigma produtivo da mão-de-obra barata e pouco qualificada para a alta tecnologia e os produtos de alto valor acrescentado, por exemplo. Foi uma governação ineficiente, sem visão política para o país (o que aliás não surpreende, observando a pose oca e mumificada nos debates). Não tenho também por isso qualquer dúvida de que o período cavaquista é um importante factor para o atraso em que o país ainda se encontra, e para o futuro negro que se vislumbra. Mesmo para capitalista, foi mau.

Comments:
Viva!
Há muito a discutir e a criticar quanto ao consilado do anti christ-superstar e iso já foi discutido no nosso blog, está lá perdido nos arquivos.
Quanto à qualificação profissional foi um oportunidade de ouro perdida para o nosso país, que o sr. Silva no último debate se escudou afirmando que quando chegou ao poder em 85 (pasme-se, 85), a escolaridade estava na 4ª classe e ele deixou-a no 9ª ano. já nessa altura, todos os países europeus alertavam que Portugal devia investir nos cursos tecnológicos e nos cursos técnico-profissionais, que é aquilo que sócrates está a começar hoje, 20 anos depois, que er o modelo da CEE de então, hoje UE. Com 1 milhão de contos a entrar por dia em Portugal o que se podia ter feito, meus senhores.

Desse tempo ficaram os cursos superiores de papel e nada mais. as universidades fajutas, os cursos fabricados, falsificados, sem saídas, e a vizinha europa a prosperar à conta da nossa ileteracia.

abraço.
 
O Professor Anibal e' um incapaz mesmo pelos criterios que tem como queridos, a nomear: Eficacia e Eficiencia. Para devoto da religiao tecnocratica o Professor e inveterado pecador, e de competente gestor da coisa publica tem pouco. Alias, nao e' por esquecimento que ninguem se lembra da obra feita. Antes porque a obra foi mal feita que agora temos regimentos de cavaquistas a papaguiar ate a nossa surdez ou convencimento que o Anibal foi heroi do asfalto e do PIB.

Podemos tambem ir mais fundo e questionar se a eficacia e a eficiencia nao escondem tambem a verdadeira politica. Ele foi eficaz para quem e para que? Eficacia e' cumprimento de objectivos mas quanto a definicao destes ultimos nao ha consenso. E' enganadora a analogia de Portugal como uma familia, como se o que fosse bom para o pais fosse bom para todo o agregado. Portugal e' feito de divisoes, de poucos ricos e muitos pobres, de elites e indigentes, e o Cavaquismo evoca nostalgia so para os primeiros...
 
Concordo genericamente com a análise à excepção de "foi sem dúvida eficaz". Os comentários de A. Cabral fazem sentido. Para além disso, houve um desmantelamento ou incapacidade de se modernizar de grande parte do aparelho produtivo. Vemos isso cada dia com o fecho das fábricas (já antes tinha sido sobre as pescas,...), reforçando a componente dual desta sociedade. E o problema é que a tão reclamada "reconversão" destes trabalhadores é agora praticamente impossível com 20 anos de atraso. A Cavaco o que é de Cavaco.
 
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