17 fevereiro 2005

 

#@cistas de #$que%da


Desde que comecei a vaguear por blogosferas, artigos de opinião e bichos que tais, tem havido uma expressão recorrente que me mete espécie: "fascistas de esquerda". À primeira vista, e se me desligar dos milhentos textos que já li a usar as 3 queridas (o "de" também é importante e conta, senão mais parecia um comando numa parada militar mussolina), surge-me como... ovos com ananás.


A linguagem tem destas coisas, dá para muitas voltas e às vezes perde-se a meada (sinal disso é grande parte da blogosfera de esquerda já nem se chatear por emendar a expressão). É que por um lado um comunista, penso eu, corrijam-me se estiver enganado, segue um ideal comunista, o qual supostamente, isto também me disseram, tem como objectivo uma sociedade sem classes. Dai aquela história toda da ditadura do proletariado, nacionalizações, and soy on. Ora, tanto quanto sei, e isto também não é para acreditarem se não quiserem, um fascista é quem defende um sistema onde certas classes sociais são separadas e consideradas sobre um diferente sistema de direitos e regras, baseadas em qualidades superficiais, materiais ou de crença. Pronto, as características são muitas, mas acho que por agora chega.


Agora vem a minha dúvida, então um fascista de esquerda deve ser aquele que defende uma sociedade sem classes mas com uma classe,... não... não pode ter classes, entao deve ser... epá, eu sabia... tinha isto escrito aqui para algum lado. Tu tinhas a ditadura do proletariado mas com a defesa do direito à propriedade privada para um estrato... não, não era isto.


Bem, não estou a conseguir encaixar. Façamos assim, que tal evitar uma expressão infeliz que tanto limpa o significado grotesco da teoria fascista, como ao mesmo tempo retira conteúdo ideológico à expressão "de esquerda"? É que assim de repente parece que alguém anda a matar dois coelhos de uma cajadada. Vá lá, usem uma das vossas preferidas, já sei, uma daquelas da vossa infância! Como quando o avô chegava a casa chateado por aquele bando de porcos suados sem cultura andarem a invadir as suas propriedades. Ou quando o padre dava 30 minutos de missa sobre os males que corrompem o Homem, e os levam a espumar da boca e a rugir como animais, tomando o que "de direito não é delesch sch..."


P.S: eu por mim vou continuar a chamar "fascista" a quem o é de direito. Quem defende um modelo de sociedade hierarquizada, com direitos e privilégios especiais a uma classe superior. Não tentem viciar o Português que tanto estimam e defendem...



   

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