23 fevereiro 2005
Aqui há molho
O pânico parece ser de fabrico fácil. Ainda não tem uma semana a notícia de que uma (longa) lista de produtos alimentícios ingleses foram retirados das prateleiras por contaminação com um corante banido pela União Europeia e já se descobriu um primo português. Desta feita a ligação familiar é óbvia porque se trata de um “molho inglês” o que torna ainda mais imediata, a nível até semântico, a. perigosidade.
Estou dividido. Não sei se me queixe da negociata agro-alimentar que nos impinge químicos com consequências dubias em doses cavalares, se da rapidez com que risco se torna sem aparente reflexão em alerta grave e pânico. O que me divide é a ignorância do que se passa. O que se passa nos laboratórios universitários que fazem crescer tumores em ratinhos nutridos a corantes? O que se passa no fabrico destes molhos e refeicões metade-alimento e metade-plástico? O que se passa nas organizações que vigiam uns e outros e que tomam as decisões por nós?
Estou irremediavelmente cínico. Acho pânico tao súbito pouco sincero, senão mesmo forjado. De um lado, a necessidade das autoridades (in)competentes em mostrar vigilância quando esta é patentemente tão limitada. De outro, os meios de comunicação nacionais a esgravatar por notícias para encher noticiários, para tornar as notícias feitas lá fora, noticias cá para dentro.
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