21 novembro 2007

 

Os óculos do poder


Nos últimos dias temos assistido a lutas extraordinárias. Desde a greve dos trabalhadores da Valorsul, que rejeitam negociar os salários em troca da perda de direitos laborais, à greve dos comboios na Alemanha, a maior luta laboral desse país nos últimos anos, passando pelas gigantescas greves do sector público francês – empregados dos transportes, professores, estudantes, médicos, enfermeiros, bombeiros.

A cobertura que as TVs e jornais “de referência” têm feito é vergonhosa. A propósito da Valorsul a SIC explica que “a polícia teve de intervir”, culpando aqueles que foram empurrados, arrastados ou esmurrados pela GNR. Sobre a greve em França, os jornais internacionais preferem discutir se Sarkozy conseguirá ser um líder tão forte como foi Margaret Thatcher. De forma mais ou menos extrema, as notícias focam-se inteiramente na “determinação da polícia e governo” ou então, nas dificuldades de quem é prejudicado com a greve. Ninguém reporta sobre a luta dos trabalhadores, sobre as suas causas e as suas conquistas.

Para encher texto, os jornalistas telefonam aos ministros e aos polícias, mas são incapazes de ir para a rua e entrevistar o outro lado. Esta miopia ilustra a necessidade dos movimentos políticos e laborais criarem os seus próprios meios de comunicação independente. Vale a pena mudar de leituras...

Comments:
O pior disto tudo, o travão das despesas rígidas do Estado leva-o, em desespero orçamental, à tentação de privatizar tudo o que é essencial para justificar a própria existência de um sector público na economia. E com resultados que, uma vez mais, são pagos pelos contribuintes. Privatizou-se a electricidade e saiu-nos mais caro; privatizaram-se as telecomunicações e pagamos mais; privatizaram-se as estradas e pagamos mais; privatizou-se a saúde e não vimos resultados. Agora, querem privatizar a água e já se adivinha o resultado. Qualquer dia, acordamos e deparamos com um Estado que já não presta serviços públicos, mas que continua a cobrar os mesmos impostos, a fazer a mesma despesa e a dispor da mesma legião de funcionários que continuam a chorar pelas conquistas de Abril.
 
Vale a pena mudar de leituras, mas embora até possa simpatizar com a ideia, o Mudar de Vida nunca será lido nem mudará nada. Estes meios de comunicação independentes não conseguem subsistir, nem ter massa crítica que os ajude a desenvolver, já que não pode pagar a sério a jornalistas e até os voluntários orecisam de comer. O formato não ajuda, os alinhamentos editoriais não vendem, logo não chamam publicidade, e lembram sempre jornais de teorias da conspiração.
 
A comunicação social que temos arranja sempre um tema sem inportancia para entreter a malta,durante a semana só vimos a propaganda que nos quiseram vender acerca do que se passou na cimeira ibero-americana entre o Rei de Espanha e o Presidente da Venezuela,do que falaram os outros chefes de Estado presentes nada lhes mereceu atenção.Quanto á greve da Valorsul tambem só vimos a GNR a tentar abrir os portões da Empresa,embora na minha opinião os trabalhadores devem evitar qualquer confronto com os militares ou agentes das policias,dos comboios da Alemanha eu não ouvi nada,de França vimos entrevistas com alguns cidadãos apressados sobretudo com pessoas de mais idade que até já devem estar reformados e que estavam aborrecidos com a falta dos transportes.Agora já voltou novamente a história do pai do coração e do lobo mau que é o verdadeiro pai da criança.E assim vamos vivendo,ouvindo as histórias da carochinha,lendo o correio da manhã e o 24 horas e vendo na TVI os casamentos de sonho.Só a internet é que nos dá mais informação e debate,mas ainda somos tão poucos.
 
Pelos vistos a luta de classes, regressou à ordem do dia e parece ter vindo para ficar.
Os jornais ditos de referencia já tomaram o seu partido, óbviamente o dos seus patrões, transformando os seus jornalistas em empregados do Belmiro, do Balsemão e por ai a fora
 
Sim, agudiza-se neste sector, nos países mais antigos da UE.
Há que perceber se é o elo mais fraco da luta.
 
Interessante esta democracia que omite o trabalhador chamando-o de cidadão. Ah! Que saudades eu tenho de sonhar um mundo ideal, em que tivesse as mesmas oportunidades que todos os outros e ir por aí fora realizando e realizando-me. Fazendo história com os meus companheiros da mesma luta, da nossa luta. Nesse meu sonho os trabalhadores eram pessoas,tinham nome e usavam pinos de estrêlas. Hoje são números a subtrair ou a adiccionar a um hipotético número que ninguém entende e nos é dado como o Deus da salvação. Vocês acreditam ? Eu não ! Esta Europa nunca esteve tão próxima do sonho de Napoleão !
 
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